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Agenda 2100: Um Filme de Ficção Sobre o Futuro do Planeta

O São Paulo Film Festival destaca Agenda 2100, filme idealizado e produzido por Stephanie Habib, com direção de Stephanie Habib e Thaís Guisasola. A obra utiliza a ficção científica para abordar um dos temas mais urgentes do nosso tempo: as consequências da crise climática. Combinando pesquisa científica, construção de mundo e uma narrativa voltada ao grande público, o filme imagina um futuro marcado pelo colapso ambiental, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão sobre as escolhas feitas no presente.

A história acompanha Gaya, uma mulher grávida que integra a resistência em um mundo transformado pelas consequências do aquecimento global. Em uma sociedade reorganizada após o colapso climático, sob o controle de um regime autoritário chamado Sobreterra, ela tenta enviar ao passado um código capaz de alterar o curso da história antes que seja tarde demais. A partir dessa premissa, Agenda 2100 constrói uma narrativa que mistura distopia, ação e reflexão ambiental.

Cena do filme Agenda 2100

A origem do projeto remonta aos anos em que Stephanie Habib estudava Relações Internacionais. Durante as aulas sobre meio ambiente, o contato com os relatórios do IPCC despertou uma preocupação profunda com os cenários projetados para o futuro do planeta. O que inicialmente surgiu como inquietação acadêmica acabou se transformando em um projeto de vida. Convencida de que o audiovisual poderia ser uma ferramenta poderosa de mobilização social, Stephanie decidiu migrar para o cinema em busca de uma forma mais acessível e emocional de comunicar temas frequentemente restritos ao universo científico.

Cena do Filme Agenda 2100

A construção de Agenda 2100 foi resultado de mais de uma década de pesquisa. Para desenvolver o universo retratado no filme, a equipe contou com estudos sobre mudanças climáticas, política internacional, sustentabilidade, design de produção e efeitos visuais. Cientistas ambientais participaram do processo para garantir que o futuro apresentado permanecesse alinhado às projeções climáticas discutidas atualmente pela comunidade científica. A proposta era criar um cenário cinematográfico, mas também fundamentado em dados reais sobre os riscos de um planeta que ultrapassa níveis perigosos de aquecimento.

Um dos aspectos mais interessantes do projeto é a forma como ele articula ficção e ação prática. Durante o desenvolvimento do filme, Stephanie criou também o App Agenda 2100, aplicativo gratuito que transforma ações sustentáveis em desafios gamificados. Os usuários acumulam pontos por práticas ambientais e podem convertê-los em benefícios oferecidos por lojas sustentáveis parceiras. Dessa forma, o filme não se limita ao alerta sobre o futuro, mas procura oferecer uma ferramenta concreta de engajamento. A ideia é simples e potente: a obra aponta o problema, enquanto o aplicativo propõe caminhos de ação.

Bastidor do filme Agenda 2100

Nos bastidores, a produção enfrentou desafios que foram além da criação de uma obra independente de ficção científica. A equipe adotou princípios de Cinema Verde em praticamente todas as etapas do processo. Veículos elétricos foram utilizados durante as filmagens, materiais reutilizados integraram cenários e figurinos, e fornecedores comprometidos com práticas sustentáveis foram incorporados à produção. A diretora de arte e figurino Alicia Arteaga, especialista em produção sustentável, desenvolveu figurinos a partir de materiais reaproveitados e peças já existentes, enquanto parte dos cenários foi construída com materiais recolhidos em aterros.

Nem sempre, porém, a sustentabilidade acontece sem contratempos. Um episódio curioso ocorreu logo no primeiro dia de filmagem, quando, por um desencontro logístico, foram comprados copos plásticos descartáveis para abastecer a equipe. Para uma produção cuja identidade estava profundamente ligada à redução de impactos ambientais, a situação gerou preocupação imediata. A solução veio de forma criativa: os copos utilizados foram recolhidos pelo artista e assistente de direção de arte Paulo Caveira, que os reaproveitou posteriormente como matéria-prima para suas obras. O episódio acabou simbolizando o próprio espírito da produção, baseado na busca constante por alternativas e no reaproveitamento dos recursos disponíveis.

O desenvolvimento do roteiro também trouxe desafios particulares. Stephanie relata que tinha clareza sobre o universo, a mensagem e a estrutura emocional do filme, mas encontrou dificuldade para chegar ao tom exato do texto. Depois de passar pela colaboração de diferentes roteiristas, o encontro com Thaís Guisasola, roteirista e diretora convidada para codirigir o filme, foi decisivo para afinar e finalizar a narrativa. Juntas, elas transformaram anos de pesquisa, conceito e urgência ambiental em uma estrutura cinematográfica mais precisa.

Entre as referências citadas por Stephanie estão obras como Children of Men, Duna e a série Travelers. Dessas produções, vieram inspirações para a construção visual, a criação de mundo, os figurinos e a ideia de uma comunicação intertemporal capaz de alterar o futuro. Documentários ligados à sustentabilidade e à crise climática, como Earth e An Inconvenient Truth, também fizeram parte da pesquisa, ajudando a compreender como diferentes linguagens audiovisuais já abordaram o tema ambiental.

Cena do filme Agenda 2100

Mais do que uma ficção distópica, Agenda 2100 busca construir uma ponte entre crítica social, urgência humana e entretenimento. O filme parte de projeções reais para imaginar um futuro possível, mas evita o fatalismo. Sua mensagem central é que o futuro ainda pode ser transformado, desde que ações concretas sejam tomadas agora. Ao unir narrativa cinematográfica e proposta de impacto, o projeto defende que a mudança de comportamento precisa ser coletiva, mas também acessível, estimulante e recompensadora.

Agenda 2100 se destaca pela ambição de unir cinema de gênero, pesquisa científica e mobilização social em um mesmo projeto. Ao expandir sua narrativa para além da tela por meio do aplicativo, o filme demonstra como a ficção científica pode funcionar não apenas como exercício de imaginação, mas também como ferramenta de diálogo sobre o presente e o futuro que estamos construindo.

Mais informações sobre o filme e novidades podem ser acompanhadas pelo site e nas redes Instagram e Facebook.

Assista ao Trailer

Filme: Agenda 2100

Formato: Curta-metragem

Gênero: Ficção científica, drama

País: Brasil

Direção e Roteiro: Stephanie Habib e Thaís Guisasola

Produção: Stephanie Habib

Coprodução: Thaís Guisasola, Barbara Barros, Francis Girard e Lucas Souza

Produção associada: Carmen Habib, Nina Habib, Nicolas Habib, Didier Habib, Ruben Valdés e Alicia Arteaga

Elenco: Yanna Lavigne, Bruno Gissoni, Thais Lago, Giulia Benite, Oscar Filho

Produtora: Araruna Filmes

Stephanie Habib é cineasta franco-brasileira, produtora, idealizadora de Agenda 2100 e fundadora da Araruna Filmes. Atua na interseção entre audiovisual, sustentabilidade e impacto social. Sua trajetória é marcada pelo desejo de utilizar o cinema como ferramenta de transformação, articulando pesquisa científica, narrativa e mobilização. Seu trabalho já recebeu prêmios no Brasil e no exterior, em eventos como Brasília, Gramado, Rio, LAIFF Awards, HIIDA e Madrid.

Thaís Guisasola é diretora e roteirista reconhecida internacionalmente. Seus trabalhos já foram apresentados em festivais e instituições como Locarno, BFI London, San Sebastián e Documenta 14. Sua obra explora temas como identidade, poder e corpo por meio de uma linguagem cinematográfica experimental.

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